Existe tratamento para o vício em sexo.

Uma nova clínica criou uma abordagem que está ganhando terreno e contrapõe ao modelo do de tratamento para o vício em sexo. Em Chicago, recentemente, os pesquisadores Doug Braun-Harvey e Michale Vigorito apresentaram sua abordagem sobre o “comportamento sexual fora de controle”.

O que é isso? Bem, certamente você está familiarizado ao vício em sexo. Um problema que existe e é inclusive documentado em nossa sociedade. A primeira coisa a entender sobre esses dois caras é que eles trabalham na mesma linha de terapeutas que lidam com o vício em sexo, mas sem a lente do vício em si…

O Autoconhecimento é uma via para a cura

Um dos pontos centrais da teoria deles é a importância da psicoterapia e do autoconhecimento. Levando em consideração que é muito fácil para qualquer psicólogo ou terapeuta se deixar levar por seus próprios preconceitos e cultura. O que inevitavelmente interfere de forma não muito positiva no tratamento, podendo inclusive piorar o quadro geral.

Esse tipo de obstáculo pode levar a avaliações “prematuras” de pacientes. Rotulando logo como “viciados em sexo” de forma automática, estigmatizando esses pacientes (geralmente do sexo masculino, mas nem sempre) e gerando um sentimento de culpa. Os dois propõem abordar o paciente dentro de seus próprios desejos, crenças e valores de forma integral e inclusiva.

Abordagem sexualmente positiva e integrada

O mais importante do que eles propõem é a abordagem sexualmente positiva. Primeiro definindo o que seria “saudável” sexualmente.  Depois migrando para o campo da suposta patologia. Em muitos aspectos, isso é o ponto central no tratamento com esses terapeutas. Eles ensinam que o terapeuta deve “ir até onde seu cliente está”. Ao invés de jogar e atirar diagnósticos prontos com base em observações imediatas. Para começar pela definição de sexo  saudável, os pesquisadores chegaram a um modelo em seis frente

Consentimento

O consentimento é o primeiro dos critérios para apontar desordens e parafilias, e é realmente o ponto que separa qualquer tipo de sexualidade da ofensa sexual em si. Geralmente, nesses casos, agressores são encaminhados para outros tratamentos.

Não-exploração

O segundo item aponta um sexo que possui consentimento, mas é baseado na exploração. Sexo com subordinados, clientes, indivíduos emocionalmente vulneráveis.

Segurança

Essa é mais uma questão ligada a educadores do que a terapeutas, mas proteção é um aspecto importante da saúde sexual.

Honestidade

A honestidade é uma questão muito relevante para os ditos viciados, já que eles incorrem em traições com frequência. Os pesquisadores chamam esse comportamento de narcisismo sexual, que consiste em uma certa carência de empat

Valores compartilhados

Os valores compartilhados estão de certo modo alinhados com a honestidade. Nesse caso, os tais “viciados” buscam o compartilhamento de seu ímpeto pelo sexo, sugerindo a parceiros a flexibilidade e liberdade, a poligamia, o sexo entre casais e outros. Essa abertura pode levar a conflitos, porém mostra a vontade de solucionar conflitos sexuais e adaptar-se às circunstâncias.

Prazer mútuo

Finalmente, no último nível, ambos os indivíduos dentro da relação em tese conseguem o querem. Contudo, a sexualidade é algo bastante complexo. O rótulo do “vício” por sexo é geralmente aplicado a essa seis camadas, embora elas possuam comportamentos e manifestações completamente diferentes. Em todos os casos, contudo, o papel do terapeuta é o de não rotular e zelar pela autocompreensão do paciente.

Os dois pesquisadores propõem, além da leitura em camadas, uma abordagem muito mais positiva ao modelo tradicionalista do vício em sexo. Em muitos aspectos, o que eles propõem é uma exploração mais profunda dos motivos e das razões que norteiam essas pessoas – não para “tratar”, mas para fazer o que se espera de fato de um bom terapeuta: auxiliar a pessoa a encontrar saídas mais saudáveis pela sua própria compreensão.