O vício em pornografia

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O “vício” por pornografia vem sendo discutindo entre psicólogos e na mídia cultural há anos. Alguns sugerem ou mesmo defendem que a pornografia encoraja atos de violência sexual e que destrói ou deteriora relacionamentos. Outros, na total contramão, afirmam que a pornografia pode sim ter seu lugar em uma vida sexual saudável.

Mas novos estudos sugerem o fim da discussão a respeito da adicção em pornografia: pornô não é um vício. Neurocientistas da UCLA descobriram que quando expostas a imagens eróticas, pessoas tem as reações cerebrais opostas às típicas de comportamentos adictos.

No cérebro, o vício em pornografia funciona como o total oposto do vício em cocaína, cigarros ou jogo – e desse modo, os cientistas defendem que as mesmas terapias para o domínio da adicção não se aplicam.

Pornografia e seu cérebro

Geralmente, vícios disparam reações do cérebro ao objeto deles. Contudo, segundo algumas descobertas publicadas no Biological Psychology, pessoas que são expostas à pornografia excessiva manifestam exatamente o oposto.

O estudo avaliou 122 homens e mulheres – alguns deles passavam maus bocados para controlar a forma com que usavam a pornografia, enquanto outros assistiam muito, porém não viam problemas em seus hábitos. Os participantes foram submetidos a uma grande variedade de imagens – algumas sexuais e outras não – enquanto cérebros eram monitorados com tecnologia de encefalografia.

Com o equipamento, pesquisados mediram o potencial latente no cérebro, ou a intensidade das respostas emocionais, em termos leigos. O resultado mostrou que o cérebro não é sensibilizado por imagens sexuais desse modo  – todas as substâncias que levam a vícios causam reações químicas e emocionais latentes no cérebro, apenas ao mostrar imagens de drogas aos viciados. O mesmo ocorre com imagens de cigarro para fumantes, imagens de mesas de pôquer para viciados em jogo e similares imagens mostradas para outras categorias de dependentes.

Tudo indica que o consumo intenso de pornografia gera uma apatia crescente ao objeto ou à imagem sexual, podendo deixar as pessoas mais desinteressadas pelo sexo real.

Mas ainda cabia uma pergunta: por que pessoas que veem muita pornografia têm tanta dificuldade de largar tal hábito?

Bom, muitos especialistas dizem que alguns comportamentos ligados ao pornô merecem tratamento, mas rotular a prática como ‘vício’ pode não ser produtivo do ponto de vista da cura deste padrão, pois estamos falando do inverso diametral de um vício comum – o mesmo tipo de tratamento usados em casos de adicção pode ser algo desastroso.

Para médicos e neurocientistas, antes de decidir por um tratamento, é preciso entender porque pessoas sentem tanta dificuldade de se desvencilhar da pornografia – o vício está ligado, provavelmente, há algum padrão de sentimento ou comportamento que o ato de consumir pornografia proporciona, algo que faça sentido exclusivamente do ponto de vista do indivíduo, seu histórico e contexto de vida.

Sabemos que o assunto sexualidade ainda é cercado de muitos tabus em nossa sociedade, por aí podemos encontrar pistas do tipo de comportamento que possa causar o efeito de adicção ao consumo de pornografia, a exploração de um universo “proibido” ou “pecaminoso” é um exemplo desta possibilidade.

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