O Prazer e as 5 chaves do Tantra

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O Prazer e as 5 chaves do Tantra

Prazer: as cinco chaves essenciais à realização do caminho tântrico

Presença, olhar, movimento, voz, respiração.

Escolha uma, duas ou todas essas técnicas para aprofundar sua experiência de prazer.

Conhecer seu próprio corpo não é apenas a base de uma boa saúde, bem estar físico e psíquico. É também um ato de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal.

Muitos caminhos de evolução do Ser começam com um aprofundamento do conhecimento corporal. Passando pela liberação de energias negativas encouraçadas em nosso corpo.

Todo ser humano está em busca de prazer

As relações íntimas são uma das principais formas de conquistar esse bem tão desejado e perseguido em nosso dia a dia.

A busca por prazer e satisfação parece tão óbvia que é difícil.

Se prestarmos atenção podemos notar que nosso próprio ego interfere nessa busca, limitando os níveis de prazer sensoriais latentes em todos.

O prazer é uma das portas de entrada para uma maior consciência corporal, então nosso eu inferior dispara alarmes sempre que os níveis de prazer sensorial registrados pelo corpo ultrapassam os “limites de segurança do ego”.

Buscar as orientações milenares das tradições espirituais tântricas pode nos levar a explorar e ampliar os limites destes níveis de prazer “seguros” para o ego.

Abrindo as conexões sensoriais e, através delas, adentrando em um nível superior de consciência, onde o indivíduo e a mente sejam superados e o Ser possa se desmanchar em comunhão, não apenas com seu amante, mas também com a força do Amor.

Desta forma, os amantes se transformam no potencial latente do arquétipo de Shiva e Shakti – Consciência e Natureza.

Do que precisamos para viver o tantra?

É comum na busca do prazer – especialmente do prazer sexual – o entendimento de que um parceiro ideal, uma atmosfera ideal, um determinado tipo de situação, técnica e ocasião corretos são necessários para alcançar platôs mais altos.

Geralmente buscamos respostas fora de nossos próprios corpos e consciências. As tradições tântricas indicam que, se os indivíduos tiverem a capacidade de olhar além das concepções superficiais de si mesmos, além das circunstâncias em torno do ato de fazer amor, essa manifestação de prazer pode ser sacralizada, transfigurar os amantes e alquimicamente transformar a energia sexual em um poder capaz de levar ambos ao êxtase místico, também conhecido como Samadhi.

Os efeitos

Compreendendo a psiquê de forma mais profunda podemos descobrir nossa própria capacidade de controlar e direcionar esse prazer físico. É uma forma de integrar o corpo e a alma e utilizá-lo para adentar primeiro nosso subconsciente. Posteriormente as esferas do espírito que nos levarão a comungar com o Divino.

Para conquistar esse poder precisamos expandir nossa consciência através das cinco chaves do prazer.

O uso desses cinco segredos aumenta o bem e o prazer. Potencializando a energia sexual e afetiva de forma absoluta.

Essas cinco chaves são a Presença; Olhar; Movimento e Ritmo; Voz; Som e Respiração.

Sozinho, o indivíduo consegue acessar uma ou duas dessas chaves, espontaneamente. Alguns se sentem atraídos pela música, pelo movimento, outros pelo som e ritmo da respiração.

Todos, enfim, têm predisposição para compreender e exercer melhor certos aspectos específicos mas todos esses aspectos podem e devem ser usados para potencializar a experiência tântrica.

  1. Presença

Neste contexto, presença é considerada “consciência corporal”. Frequente desviamos nossa atenção para o mundo exterior, sem levar em consideração o que acontece dentro de nós: não estamos focados no que sentimos ou queremos, mas no que aquele que amamos sente ou quer.

Estamos atentos ao mundo exterior, à música, à TV, ao jornal, desviamos nossos pensamentos ao trabalho, ao que queremos do futuro, ao que faremos uma vez concluída a tarefa atual – que tende a nunca ser, de fato concluída, porque estamos ausentes, estamos pensando em outra coisa.

Em outras palavras, nos permitimos ser condicionados por situações e circunstâncias, e o resultado é uma constante sensação de insatisfação e tédio que projetamos na pessoa amada.

A tendência da grande maioria é a sexualidade psicogênica, que passa sempre pelo mental, pelos pensamentos e pelas fantasias e o trabalho do Tantra é trazer pro corpo, para a sexualidade reflexiva, sensorial ou concreta, livre da regulação constante de pensamentos.

Na maioria das ocasiões nosso foco não está em nossos corpos: está distante, fora.

E isso é o que nos impede de sentir prazer, porque o prazer só pode ser encontrado dentro de nós mesmos. A solução para todos esses problemas está em manter nosso foco no interior de nossos corpos, mantendo uma atitude de introspecção.

Só assim perceberemos pontos e motivos de tensão, locais onde a energia está travada ou caminhos por onde ela flui.

A partir dessa introspecção, apenas, podemos descobrir onde se encontram nossos sentimentos e emoções e qual o nosso estado afetivo real, qual a sua natureza.

É apenas pelo foco em nós mesmos que conseguiremos, eventualmente, evoluir e compreender nossos corpos como o templo de nossa alma.

Essa presença eleva nossa consciência a novas esferas, permitindo transformar a percepção superficial de prazer cerebral (psicogênico) em um sentimento profundo e paradisíaco (reflexivo e sensorial ou até mesmo místico).

  1. Olhar

Ouvimos sempre que os olhos são a janela da alma, e são mesmo.

O canal ou ponte energética que se estabelece entre duas pessoas que se olham fixamente, as conecta rápido e intensamente, oferecendo um canal efetivo de harmonização, purificação e de restabelecimento de níveis mais altos da ligação entre elas.

Uma das formas de vivenciar essa potência é, sentarem um de frente para o outro, sem nada a fazer, sem nenhum lugar a se chegar,  apenas se olharem, em estado de presença, se olhem por alguns minutos, acolham qualquer tipo de sentimento ou sensação que emergir, não se apegue a nenhum deles, apenas continuem olhando fixamente.

  1. Movimento e Ritmo

O movimento é uma das chaves para compreender o fluxo de energia em nossos corpos, seu comportamento e capacidade de ampliação.

Mesmo os gestos mais simples – inclusive quando fazemos amor – podem se tornar repetitivos com o tempo e falta de foco interior, privando inteiramente nossa alma da sensação de frescor e renovação.

É possível, no entanto, reaprender essa espontaneidade de movimento.

A prática de meditações ativas é uma poderosa ferramenta para ancorar essa espontaneidade no movimento corporal.

Existem muitas práticas para ancorar a espontaneidade no movimento corporal – combinadas a um ritmo musical não muito agressivo – nos permite entrar novamente em contato com nosso corpo, liberando tensões e permitindo à energia vital um caminho desimpedido e equilibrado.

O ponto mais importante dessa atitude é não se deixar levar por uma coreografia ou pela imagem do movimento, mas simplesmente obedecer ao impulso que a música tenha sobre o corpo.

Você pode experimentar isso sozinho(a), em dupla ou em grupo, desde que, a despeito de possíveis toques, nossa atenção se mantenha exclusivamente em nosso corpo – nunca no corpo do outro.

Aos poucos, será possível render-se à vibração do movimento, deixamos de nos movimentar voluntariamente e passamos a nos movimentarmos por uma força.

A experiência se transforma, gradualmente, em uma expressão catártica que nos permite transcender o movimento consciente e compreender o movimento apenas como uma série de vibrações universais de liberação e felicidade.

  1. Voz e Som

Palavras são o resultado de uma cadeia de sons pronunciada em sequência, ressoando numa energia e vibração específica.

Muitas pessoas preferem fazer amor em silêncio ou simulando – por meio de sons – prazeres que podem ser considerados “adequados” ao momento do encontro sexual.

As palavras e sons não ditos, assim como aqueles que são alterados pela mente, acabam por inibir um prazer genuíno e profundo.

Nas origens do Tantra o uso de sons espontâneos que não apenas expressava as sensações da alma, mas por sua ressonância, fortalecer essas sensações se tornou mais refinado e ritualizado conforme o Tantra e o Yoga evoluíram.

Para atingir o objetivo primordial do Tantra, precisamos nos concentrar na emissão de sons não para controla-los e filtra-los, mas a partir de uma postura consciente de emitir sons espontâneos, que possam ser expressos livremente, permitindo uma livre expressão de nossos corpos.

Essa técnica é divertida, mas tem profunda eficácia na liberação de tensões do corpo e da mente, eliminando codificações psicológicas prejudiciais.

Os sons podem prender a consciência em um nível hedonista e arcaico, mas também podem elevá-la a uma esfera divina de sensações.

  1. Respiração

A respiração é, provavelmente, nossa função menos consciente e nosso alimento primordial.

Ainda que possa sofrer alterações durante nossas vidas, ela nos acompanha do nascimento à morte.

Estudos afirmam que podemos ficar 7 dias sem alimento, 3 dias sem água e apenas alguns minutos sem respirar. Ela está conectada ao caráter do ser humano e o exercício de “modificação da respiração” pode ser mais difícil de acordo com os bloqueios de cada um.

Esse exercício ampliará nosso espaço interno, o que pode ser uma tarefa difícil. É exatamente por isso que a respiração é o foco de muitas tradições espirituais – como o Yoga, por exemplo.

Ao concentrar nossa atenção na respiração podemos perceber que nossas emoções vêm e vão (às vezes em rápida sucessão) e que elas podem, inclusive, dar lugar a algo mais profundo.

É provável que, na realização desse exercício, percebamos pensamentos de autocrítica, ceticismo, pensamentos e memórias ruins.

O importante é não se deixar levar por essas energias – o pensamento segue como um trem, sempre gerando novos pensamentos.

E ele é um veneno para o autoconhecimento e para a meditação. Para realizar o exercício de alteração da respiração de forma bem sucedida basta observar esses pensamentos e memórias e conscientemente desligar-se deles – sem qualquer julgamento – voltando o foco exclusivamente para a respiração. Isso levará a uma sensação profunda de liberdade e, com o tempo e prática, a um novo estado de consciência.

As 5 Chaves do tantra para fazer amor

Agora que vimos quais são as cinco chaves do tantra e podemos introduzi-las em nossas vidas amorosas.

A Presença:

Direcionada às sensações em nossos corpos, com foco especial nos pontos em que tocamos o corpo da pessoa amada e nos pontos em que somos tocados: ao focar a atenção em nossos sentidos e sensações, estamos sempre presentes em nós mesmos.

Dessa forma, poderemos vivenciar realmente níveis de prazer mais elevados, quebrando o véu das ilusões e adentrando percepções mais sutis.

Voltaremos nossa atenção para o que o corpo sente quando fazemos amor, sem julgar essas sensações ou direcioná-las. Buscando o sentir com o corpo (reflexivo) sem pensar, sem necessidade de nomear (psicogênico).

O Olhar:

Durante este contato íntimo podemos usar o recurso de olhar nos olhos do companheiro(a) sempre que sentirmos ou quisermos estabelecer um nível mais profundo de conexão.

Você pode pedir para que seu companheiro(a) olhe nos seus olhos a qualquer momento. Sintam o efeito desta atitude.

Utilizem os olhos nos olhos a favor de ampliar a conexão entre vocês.

Façam amor de olhos fechados, mas façam amor também de olhos abertos e experimentem fazer olhando fixamente nos olhos de quem divide esse espaço contigo.

Movimento e Ritmo

Permitirão a nossos corpos movimentar-se livremente durante o sexo, sem censura ou limites.

Dificuldades nesse processo podem ser combatidas com música que nos inspire, com conversas com o ser amado que preparem ambos para o movimento livre e desinibido – e as surpresas que ele trará.

O movimento livre permitirá liberdade também à Voz e Som, que representarão apenas nossos sentimentos e emoções mais profundos.

No início poderá ser mais difícil, mas durante o encontro sexual as emissões vocais libertarão a mente e removerão bloqueios do tórax, estômago e abdome em geral.

Não se trata apenas de gemer – mas de permitir ao corpo total entrega e relaxamento para expressar os sons que ressoam em seu interior.

A Respiração:

Respirando mais profundamente e em ritmo mais fluido notamos transformações de nossos sentidos e emoções, agora capazes de experiências mais profundas.

Nossos encontros sexuais precisam de uma respiração mais profunda a partir do primeiro beijo e durante todo o processo – não apenas nos momentos de prazer mais profundo.

Essa respiração livre permitirá um contato mais inquebrantável com o ser amado, que poderá ser ampliado pelo olhar: olhando e respirando profundamente poderemos ter experiências igualmente mais profundas e tocantes, que transbordem entre os dois amantes.

Você poderá perceber que naturalmente a respiração de vocês tende a ficarem sincronizadas, isso é ótimo e amplia o nível de conexão e fluxo energético entre as duas pessoas.

A experiência tântrica:

Utilizando estas chaves do tantra e trazendo mais consciência ao corpo, descobriremos fontes de felicidade muito mais amplas em nosso ser, compartilhando sensações e emoções maravilhosas com o nosso companheiro(a).

Aos poucos, o estímulo externo não será mais necessário para atingir a níveis mais elevados: perceberemos que a felicidade e o prazer emanam do ponto mais profundo do nosso ser.

E, aos poucos, a transfiguração e transcendência do prazer e felicidade serão parte integrante do nosso dia-a-dia, sendo celebrados e intensificados em momentos de comunhão íntima com o outro.

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