Vivemos em uma época de transformações aceleradas. A informação disponível é imensa – dados, bits, bancos, e tudo se duplica em velocidade impressionante e inimaginável. Os pilares da realidade cotidiana, como o sistema financeiro, uma nova consciência do trabalho, tudo parece que irá ceder a uma grande mudança. A arte vem canalizando sua inquietude natural e apresentando uma rebeldia em relação às antigas fronteiras. E em meio a esse universo de mudanças deveríamos incluir a sexualidade, talvez de modo prioritário, como um dos maiores pulsos energéticos que nos permitem acessar planos superiores.

É importante situar nossa evolução sexual como aspecto importante e relevante desse desdobramento coletivo que vivemos. Para reafirmar esse processo evolutivo, talvez seja mais prudente reconhecer sua grande complexidade e como isso afeta a transformação de nossos paradigmas sexuais.

O poder da serpente

Em algumas tradições esotéricas assimila-se a energia sexual à figura da serpente, sendo essa uma metáfora proveniente do hinduísmo, onde a serpente se chama Kundalini. Essa energia em nosso corpo se manifesta de forma hibernada na base de nossa estrutura – juntamente ao sagrado, primeiro dos chacras, o Muladhara.

Segundo a tradição hinduísta, a serpente encontra-se enrolada três vezes e meia em torno do Lingam, que simboliza o corpo físico da divindade, e a evolução pessoal não pode ser conseguida de forma completa sem que se desperte essa criatura – um processo que envolverá sua passagem por cada um dos sete chacras, uma travessia que ocorrerá ao longo do canal energético central, o sushuma nadi, num processo que despertará diversos episódios místicos.

Ao finalmente chegar ao Sahasrara, ou o chacra “coroa”, a serpente floresce sobre nós, projetando-se ao longo de todo o caminho que transcorre a energia divina – a iluminação, segundo as tradições.

Desaprovação do sexo

Antropologicamente e socialmente, vale refletir sobre o que fez com que se arrancasse o conteúdo sagrado do sexo entre nós. Em lugar que aproveitar essa atividade como uma fonte sublime de energia, a tendência dominante foi a de relegá-la a uma distração, frivolidade, um desafio ao poder instituído, medos e tabus. A religião escolheu suprimir a sexualidade ao invés de colocá-la a seu favor e o sexo tornou-s ea principal fonte de nossos traumas – Freud já atribuía todos os desvios e episódios sombrios da mente à nossa sexualidade.

O que aconteceu com os antigos rituais tântricos, com as danças que preconizavam a fertilidade nos bosques, e com o uso do sexo como um veículo para estabelecer e fortalecer relações? Por que o sexo tornou-se uma coisa definida pelo pudor, pelo ego, pela frivolidade? Quem é o beneficiário da desaprovação do sexo como dispositivo evolutivo?

Responder todas essas perguntas daria um livro, mas essa é parte da chave para recuperar o caráter evolutivo da sexualidade no mundo contemporâneo, buscando uma rota de emancipação dentro do sexo.

O retorno da sexualidade espiritual

A atual atitude da sociedade em relação ao sexo ainda possui traços que bloqueiam a evolução sexual. É curioso como os mantemos de forma inconsciente, dedicando a esses fatos pouca reflexão – caso o façamos, contudo, quase que naturalmente acionamos soluções prováveis para a superação. Ainda há, mesmo hoje, enorme falta de consciência em relação à energia envolvida nas trocas sexuais.

Em algumas tradições místicas, o ato sexual com uma pessoa com a qual queremos estabelecer vínculo pode gerar uma relação energética que dura até sete anos. Outras versões dizem que o sexo estabelece uma comunhão de carma de importância imensa no plano metafisico. Mas qualquer que seja a interpretação, parece óbvio para duas pessoas que copulam, que durante tal ato há um profundo intercâmbio de energia em múltiplos níveis.

Uma atitude mais saudável é se dar conta das distintas consequências etéreas que um ato sexual acarreta, e usar essa consciência para guiar seu discernimento na escolha de parceiros.

A busca ansiosa pelo orgasmo

Culturalmente, ao menos na atualidade, estamos programados para associar o sexo ao prazer, e este último ao orgasmo. Muitas pessoas consideram um fracasso qualquer ato sexual que não termine nessa manifestação. Viramos escravos de nossos próprios orgasmos – e muito embora o processo do orgasmo possa ser um veículo que leva à lucidez mental e fortaleza física, sua banalização pode dissipar totalmente a energia sexual.

Sob esse aspecto, parece que nossa resposta e solução é colocar mais atenção em nossos encontros sexuais, não em seu termo – tornando a necessidade do orgasmo algo inexistente e exaurindo sua “obrigação”.

Quando a energia sexual encontra-se presente em nossos corpos, podemos localizá-la com facilidade no chacra raiz, logo abaixo do umbigo. Interpretamos isso como um “chamado” que requer uma resposta física e sexual – buscamos o sexo em si, mas em sua ausência, recorremos à masturbação.

Na próxima vez em que escutar o “chamado”, tente conduzir essa energia de uma maneira que envolva seu centro criativo, e seguramente você conseguirá resultados interessantes ao deixar circular a serpente.

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